Presidente do Sinal fala sobre saúde mental dos trabalhadores no Setembro Amarelo
O Setembro Amarelo é uma campanha fundamental para a conscientização e prevenção do suicídio, e sua relevância no mundo do trabalho é cada vez mais reconhecida. Este mês tem como objetivo romper o silêncio em torno do suicídio, promovendo diálogos abertos sobre saúde mental e incentivando a busca por ajuda.
Embora o foco não se destine especificamente aos trabalhadores, o ambiente de trabalho ganha especial importância devido ao impacto significativo que a organização do trabalho pode ter na saúde mental.
De acordo com o presidente da União Sindical dos Trabalhadores de Catanduva e Sindicato da Alimentação de Catanduva, Marcelo dos Santos Araújo, o estresse, a pressão por resultados, jornadas excessivas e a falta de reconhecimento são fatores que contribuem para o esgotamento mental, um problema que pode levar ao desenvolvimento de transtornos mentais, incluindo a depressão, ansiedade e, em casos extremos, ao suicídio.
"Estamos trabalhando junto aos trabalhadores e às empresas sobre os afastamentos devido à saúde mental. Muitos trabalhadores estão adoencendo por pressão, assédio. Vamos montar relatórios com dados concretos para apresentar na mesa de negociação, pois os patrões dizem que o funcionário não adoece no trabalho; sempre alegam outros problemas. Recebemos muito relatos de trabalhadores sobre a pressão sofrida para que metas e mais metas sejam cumpridas", analisa.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, em 2019, foram registrados mais de 700 mil suicídios em todo o mundo, sem contar as subnotificações. O número no Brasil chega aproximadamente a 14 mil casos por ano, ou seja, a cada dia, em média 38 pessoas tiram a própria vida.
A terceira maior causa de afastamentos por auxílio-doença acidentário, segundo dados da Previdência Social, está relacionada aos transtornos mentais. A Norma Regulamentadora – NR-01 (Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais) introduziu a identificação e gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
Segundo dados oficiais, o Setembro Amarelo é a maior campanha antiestigma do mundo. Em 2024, seu lema é “Se precisar, peça ajuda!”, o que, segundo Araújo, é de extrema importância para que o trabalhador consiga enfrentar doenças emocionais.
"É importante que o trabalhador peça ajuda, pois ele é o primeiro a sentir os sintomas. Procure o Departamento de Recursos Humanos, que cuida de pessoas, para que seja encaminhado ao Ambulatório e as medidas sejam tomadas. Caso não consiga ajuda, procure o Sindicato para que possamos tomar as providências cabíveis. As pessoas precisam ter saúde física e mental para desenvolver um bom trabalhado, produtividade", salienta o sindicalista.
Quadros de depressão e ansiedade são transtornos particularmente muito comuns, chegando até a 30% em alguns estudos populacionais. Desde novembro de 2023, são consideradas potencialmente doenças ocupacionais. Desta forma, é importante realizar diagnósticos, uma vez que a imensa maioria dos usuários de psicotrópicos não é diagnosticada de forma apropriada.
Em segundo lugar, caso seja identificada uma doença, deve haver um plano terapêutico, que envolve a superação de elementos que vulnerabilizaram o sujeito a adoecer. Criar espaços coletivos de escuta, de discussão do trabalho e de seu andamento desenvolve uma cultura de transparência em relação a mudanças institucionais. Ao mesmo tempo, visa compreender conflitos internos como produto das relações institucionais. A partir daí podem ser identificadas possibilidades de transformação.
